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quarta-feira, 1 de junho de 2011

A pensar nas eleições

Os jovens acampados no Rossio e nas praças de Espanha são os primeiros sinais da emergência de um novo espaço público – a rua e a praça – onde se discute o sequestro das atuais democracias pelos interesses de minorias poderosas e se apontam os caminhos da construção de democracias mais robustas, mais capazes de salvaguardar os interesses das maiorias. A importância da sua luta mede-se pela ira com que investem contra eles as forças conservadoras. O artigo é de Boaventura de Sousa Santos.

Nos próximos tempos, as elites conservadoras europeias, tanto políticas como culturais, vão ter um choque: os europeus são gente comum e, quando sujeitos às mesmas provações ou às mesmas frustrações por que têm passado outros povos noutras regiões do mundo, em vez de reagir à europeia, reagem como eles. Para essas elites, reagir à europeia é acreditar nas instituições e agir sempre nos limites que elas impõem. Um bom cidadão é um cidadão bem comportado, e este é o que vive entre as comportas das instituições.


Dado o desigual desenvolvimento do mundo, não é de prever que os europeus venham a ser sujeitos, nos tempos mais próximos, às mesmas provações a que têm sido sujeitos os africanos, os latino-americanos ou os asiáticos. Mas tudo indica que possam vir a ser sujeitos às mesmas frustrações. Formulado de modos muito diversos, o desejo de uma sociedade mais democrática e mais justa é hoje um bem comum da humanidade. O papel das instituições é regular as expectativas dos cidadãos de modo a evitar que o abismo entre esse desejo e a sua realização não seja tão grande que a frustração atinja níveis perturbadores. 

Ora é observável um pouco por toda a parte que as instituições existentes estão a desempenhar pior o seu papel, sendo-lhes cada vez mais difícil conter a frustração dos cidadãos. Se as instituições existentes não servem, é necessário reformá-las ou criar outras. Enquanto tal não ocorre, é legítimo e democrático atuar à margem delas, pacificamente, nas ruas e nas praças. Estamos a entrar num período pós-institucional.

Os jovens acampados no Rossio e nas praças de Espanha são os primeiros sinais da emergência de um novo espaço público – a rua e a praça – onde se discute o sequestro das atuais democracias pelos interesses de minorias poderosas e se apontam os caminhos da construção de democracias mais robustas, mais capazes de salvaguardar os interesses das maiorias. A importância da sua luta mede-se pela ira com que investem contra eles as forças conservadoras. Os acampados não têm de ser impecáveis nas suas análises, exaustivos nas suas denúncias ou rigorosos nas suas propostas. Basta-lhes ser clarividentes na urgência em ampliar a agenda política e o horizonte de possibilidades democráticas, e genuínos na aspiração a uma vida digna e social e ecologicamente mais justa.

Para contextualizar a luta das acampadas e dos acampados, são oportunas duas observações. A primeira é que, ao contrário dos jovens (anarquistas e outros) das ruas de Londres, Paris e Moscou no início do século XX, os acampados não lançam bombas nem atentam contra a vida dos dirigentes políticos. Manifestam-se pacificamente e a favor de mais democracia. É um avanço histórico notável que só a miopia das ideologias e a estreiteza dos interesses não permite ver. Apesar de todas as armadilhas do liberalismo, a democracia entrou no imaginário das grandes maiorias como um ideal libertador, o ideal da democracia verdadeira ou real. É um ideal que, se levado a sério, constitui uma ameaça fatal para aqueles cujo dinheiro ou posição social lhes tem permitido manipular impunemente o jogo democrático. 

A segunda observação é que os momentos mais criativos da democracia raramente ocorreram nas salas dos parlamentos. Ocorreram nas ruas, onde os cidadãos revoltados forçaram as mudanças de regime ou a ampliação das agendas políticas. Entre muitas outras demandas, os acampados exigem a resistência às imposições da troika para que a vida dos cidadãos tenha prioridade sobre os lucros dos banqueiros e especuladores; a recusa ou a renegociação da dívida; um modelo de desenvolvimento social e ecologicamente justo; o fim da discriminação sexual e racial e da xenofobia contra os imigrantes; a não privatização de bens comuns da humanidade, como a água, ou de bens públicos, como os correios; a reforma do sistema político para o tornar mais participativo, mais transparente e imune à corrupção.

A pensar nas eleições acabei por não falar das eleições. Não falei?

Texto retirado do sítio da agência http://www.cartamaior.com.br/ (com destaques meus)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Simbologia do atraso


Não há como negar os fatos. O momento em que vivemos em Irituia é reflexo da incapacidade de determinadas pessoas em ocupar o cargo que o povo lhes confiou. 
Ser político é ter acima de tudo a capacidade em ouvir e respeitar o que pensa a população, que é quem paga o salário dessas pessoas. Se não há o respeito para com a opinião de cada cidadão, como uma pessoa, que se diz autoridade e que só ocupa o cargo que exerce graças à vontade popular, pode merecer o respeito de seus munícipes.
Não existe Política sem diálogo, sem troca de ideias, sem críticas; o ambiente político é feito disso. A construção de consensos se faz a partir do contraditório, da pluralidade,  e quanto mais, melhor. 
Ser político sem querer aceitar o diferente é postura a ser veementemente combatida, pois revela o retorno a práticas despóticas que a história se encarregou de virar a página. Temos de estar atentos a isso, pois o mundo - e a televisão está aí para mostrar - não mais admite coroneis dando ordens. A democracia tem de ser respeitada, e isso pressupõe a consciência de nossos governantes sobre a importância da participação popular, que como frisei acima, é quem mantém, através dos impostos pagos, toda a estrutura do Estado e, portanto, quem tem todo o direito de cobrar. Quem não se achar preparado para isso, que tenha a dignidade de reconhecer e entregar o cargo.
Falo isso pela postura autoritária do senhor prefeito ontem, logo após a realização da audiência pública sobre segurança no município, onde esse senhor, demonstrando sua total incapacidade para o exercício do cargo que exerce, simplesmente me afrontou querendo - veja quanto ironia - atribuir a condição deprimente do município a mim e mais algumas pessoas, que, segundo ele, "atrapalham" o município de Irtiuia. É muito cômodo para ele ter consciência de sua total omissão e depois querer jogar a culpa dessa condição em meros cidadãos que simplesmente cobram aquilo que lhes é de direito. Enquanto isso, fica ele escondido em suas fazendas cuidando dos bois, demonstrando que o povo não tem mais valor, pra ele, que esses animais. Vai ver é por isso que ele age assim, tratando o povo como boi de curral. São os vícios advindos da prática cotidiana. 
Quem quiser mais detalhes sobre a audiência, visite a página http://vanessamiires.blogspot.com.

sábado, 7 de maio de 2011

Saramago: a voz da experiência

O papel dos pensadores é nos fazer refletir a partir de suas ideias. Analise as palavras deste mestre e compare com a atual realidade política de Irituia.

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